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Finep cria edital para empreendedorismo feminino

O Programa Mulheres Inovadoras foi criado pela Finep para estimular startups lideradas por mulheres, de forma a contribuir para o aumento da representatividade feminina no cenário empreendedor nacional. O programa do edital, lançado em fevereiro e com deadline de inscrições em 16 de abril, oferece capacitação e reconhecimento para empreendimentos que possam favorecer o incremento da competitividade brasileira.

Por acreditar na força do empreendedorismo feminino e para saber mais sobre o programa, conversamos com o Superintendente da Área de Empreendedorismo e Investimento da Finep, Raphael Braga.

Marcia Cavallieri: Esta é a primeira iniciativa da Finep voltada para o público feminino?

Raphael Braga: Sim, a Finep já contava com outras ações de fomento a startups, mas este é o primeiro programa com recorte de gênero. A ideia é trazer mais diversidade para um ambiente ainda muito dominado pelo publico masculino. Para se ter ideia, um estudo de 2018 da Associação Brasileira de Startups (Abstartups) indicou que 74% da força de trabalho de startups era masculina. Pensando em reduzir esta disparidade, o programa Mulheres Inovadoras nasceu como fruto de um acordo de Cooperação Técnica firmado pela Finep com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Telecomunicações, e a prefeitura do município de São Paulo.

O programa se restringe a empresas paulistas, ou tem abrangência nacional?

Podem se candidatar empresas de todo o país, mas nossa expectativa é de que mais empresas do estado de São Paulo se apliquem. Primeiramente, pelo volume potencial de empresas na região e, em segundo lugar, porque a capacitação de um mês será realizada na capital paulista. Um dado interessante é que São Paulo foi considerada uma das 50 melhores cidades do mundo para mulheres empreenderem, de acordo com ranking WE Cities (Women’s Entrepreneurs Cities, elaborado pela Dell), ficando em 42º lugar.

Até quando vão as inscrições para o programa e como funcionará a seleção?

O período de submissão de propostas, que é totalmente online, encerra em 16 de março. Então, a Finep selecionará 20 startups lideradas por mulheres para receberem um programa de aceleração durante 30 dias, em São Paulo. Destas 20 que passarem pela capacitação, até cinco podem ser escolhidas para receber uma premiação de R$ 100 mil cada, conforme critérios estabelecidos no edital. O grande diferencial é que estes recursos serão destinados “a fundo perdido”, isto é, as empresas não precisarão dar nenhuma contrapartida, nenhum retorno relativo ao investimento recebido. Entretanto, faremos um acompanhamento dos empreendimentos para acompanhar seus êxitos. A avaliação e seleção das propostas ocorrerá até 17 de julho, seguindo duas etapas: 1) Elegibilidade e Plano de Negócios; e 2)Aceleração, Relatório Técnico Final e Banca Avaliadora Presencial.

Para se habilitar, é preciso já ter uma empresa estabelecida ou pode-se estar ainda em estágio de projeto? Quais são os critérios para uma startup participar da seleção?

Para se candidatar, a startup necessariamente precisa já estar constituída, deve ter um CNPJ registrado, como S.A. ou companhia Ltda. ou até Eireli (Empresa Individual de Responsabilidade Limitada). Além disso, deve ser brasileira e possuir um DNA majoritariamente feminino. Isto é, se for uma sociedade, uma mulher deve ser a sócia majoritária ou um conjunto de mulheres deve deter a maioria das ações. Outros critérios estão descritos no edital.

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Como está sendo a adesão ao Programa?

Ainda não temos números parciais, pois as inscrições são online e podem ser preenchidas em etapas, e concluídas efetivamente até 16 de março. Os registros que temos até o momento podem variar muito até o prazo final. Mas imaginamos obter em torno de 200 candidaturas. Conforme o desenvolvimento, prevemos que o programa seja anual, lançando novo edital no início de 2021.

Certamente existe um alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para a Agenda 2030, da ONU?

Na Finep tangenciamos vários dos ODS, mas este programa contribui especialmente para o de número 5 – Igualdade de gênero, uma vez que favorece o empoderamento feminino, e, de certa forma, para o ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico e o 9, por fomentar a Inovação.

Vocês conhecem iniciativas semelhantes promovidas por outras organizações?

Recentemente chegou ao Brasil o Women Entrepreneurship (WE), da Microsoft, que, em parceria com o Sebrae, também é voltado para startups de tecnologia lideradas por mulheres, promovendo educação empreendedora e acesso a capital. Mas o Programa Mulheres Inovadoras, diferentemente, deverá ser anual, tem definido um universo de 20 empresas para capacitação e aportará recursos a fundo perdido para as cinco melhores iniciativas. De qualquer forma, ambas as iniciativas pretendem promover a relevância feminina no mundo dos negócios e, assim, contribuir para o desenvolvimento sustentável.

* Marcia Cavallieri é consultora associada da Makemake.